Em uma tarde de quarta-feira em Balneário Camboriú, o céu encoberto deixava a luz bem suave por toda a casa. Ethan, o menino loiro de olhos azuis, estava na cozinha com seu pai Alex. O ar morno e úmido fazia tudo parecer calminho e aconchegante.
Ethan sentia uma vontade gostosa de descobrir algo especial. Ele olhou para a geladeira e quis explorar junto com o pai, imaginando que poderia ter uma surpresa boa ali dentro.
Capítulo 1: Abrindo a Porta da Geladeira
Ethan parou bem na frente da geladeira, os dedinhos ainda sujos de giz de cera depois de desenhar um sol amarelo na mesa da cozinha. Ele ergueu o braço, apontou para a porta branca e olhou para o pai com os olhos bem abertos.
— Pai, me ajuda a abrir?
Alex sorriu, se agachou ao lado dele e segurou a maçaneta com calma. A porta rangeu devagar, soltando um ar bem gelado que tocou o rosto de Ethan como um sopro fresco. O menino inclinou o corpo para frente, sentindo o frio nas bochechas e nas mãos que ele esticou devagarinho.
Dentro, as prateleiras brilhavam com a luz amarelinha. Ethan viu potes coloridos, uma caixa de suco e coisas que pareciam embalagens de brinquedo. Ele não teve medo de olhar mais perto, só ficou quietinho, respirando o cheirinho de comida fria que saía de lá. O pai ficou bem pertinho, uma mão apoiada nas costas dele, e isso deixou tudo seguro.
Ethan mexeu os lábios, curioso. Queria saber o que estava escondido atrás do pote de iogurte. Imaginou, por um segundo, que podia ter algo doce esperando por ele, talvez um sabor novo que nunca tinha provado. O coração bateu mais forte, mas não de medo: era aquela vontade boa de descobrir. Ele esticou o braço um pouquinho mais, os dedos quase roçando uma embalagem, e virou o rosto para o pai.
— Tem coisa aqui, pai?
A voz saiu baixa, quase um sussurro, enquanto ele cheirava o ar que vinha da geladeira. O momento ficou calmo, só o barulhinho suave da porta aberta e o ar morno da cozinha misturando com o frio. Ethan sentiu que, se esperasse mais um pouquinho, uma surpresa gostosa ia aparecer de novo, igual ele gostava quando as coisas boas se repetiam. Ele não tirou os olhos das prateleiras, pronto para ver o que o pai ia mostrar primeiro.
Capítulo 2: A Surpresa do Sorvete
Ethan espiou bem fundo na geladeira aberta. Atrás de um saco de cenouras e de uma caixa de leite, apareceu um pote branco com uma tampa azul. Ele reconheceu logo o formato redondo. O coração pareceu bater mais forte. Queria aquele sorvete agora, bem agora.
— Sorvete! — falou alto, estendendo o braço sujo de giz de cera.
Alex pegou o pote com as duas mãos e levou até a mesa. Ethan correu atrás, os dedinhos apoiados na borda da mesa, olhando o pote parar bem no centro. O ar fresco da geladeira ainda saía devagar, misturado com um cheirinho doce que já enchia a cozinha. Ethan inclinou o corpo para a frente, sentindo o aroma de baunilha subir até o nariz.
Ele imaginou a colher fria na boca, como devia ser macio e gelado. Pensou em desenhar aquele sorvete depois, com tintas azuis e brancas, igual ao sol amarelo que tinha pintado mais cedo. Mas logo olhou para o pai. Não queria comer sozinho.
— Pai come junto? — perguntou, empurrando o pote um pouquinho para o lado de Alex. — Um pouquinho pra você.
Alex sorriu e assentiu. Ethan sentiu o peito quentinho só de ver que o pai tinha gostado da ideia. O cheiro doce ficou mais forte quando o pai tirou a tampa. Ethan cheirou de novo, bem devagar, e fechou os olhos por um segundo. O sabor parecia já estar ali no ar, mesmo sem ter provado ainda. Ele pensou em outros sabores que nunca tinha experimentado: sorvete de laranja, sorvete de morango, coisas novas que ele poderia inventar no desenho depois.
Queria muito dar a primeira colherada para o pai. Esticou a mão e apontou para a gaveta dos talheres.
Capítulo 3: Explorando com o Nariz
Ethan inclinou o corpinho para a frente, segurando na barra da porta da geladeira com uma mão só. O ar fresco tocou seu rosto enquanto ele chegava o nariz bem devagar até a borda do pote branco. Cheirou uma vez, devagarinho, sentindo o doce forte subir pelas narinas. Depois repetiu o gesto, mais perto ainda, como se quisesse guardar o cheiro na memória.
— Humm, cheiro bom — murmurou, voz baixa e satisfeita.
Alex ficou ao lado, uma mão leve nas costas dele para dar firmeza. Ethan fechou os olhinhos por um segundo, imaginando. Visualizou um sorvete todo laranja, igual ao suco que tanto gosta, ou talvez com pedacinhos de fruta por cima. Pensou em desenhar isso depois, com giz de cera bem colorido. A ideia fez seus olhos azuis brilharem. Ele repetiu o cheirinho mais uma vez, agora com um sorrisinho pequeno, mudando um pouquinho a inclinação do nariz para sentir de outro jeito.
Sem parar, esticou o braço mais fundo na prateleira, passando por uma caixa de iogurte. Os dedinhos encontraram algo frio e liso: uma caixinha amarela de suco de laranja que não estava ali antes, ou pelo menos ele não tinha visto. Outra surpresa. O coração bateu mais rápido, mas ele não se assustou. Curioso, puxou a caixinha com cuidado e a mostrou para o pai.
— Olha, pai. Outro! — disse, repetindo o mesmo movimento de antes. Aproximou o nariz da tampa, cheirou com atenção. Sentiu a acidez fresca, diferente do doce do sorvete, mas gostosa do mesmo jeito. Cheirou outra vez, variando a distância, tentando descobrir se mudava alguma coisa.
Alex riu baixo, abrindo a caixinha só um pouquinho para Ethan sentir melhor. O menino ficou ali, nariz quase encostado, explorando os dois aromas lado a lado. A curiosidade não parava: ele quis cheirar o sorvete de novo, depois o suco, alternando entre um e outro, cada vez notando um detalhe novo. O frio da geladeira batia em seus braços, mas Ethan não se mexeu. Queria entender tudo aquilo.
Por fim, ele recuou só um passo, ainda olhando para dentro, já pensando em qual sabor ia provar primeiro.
Capítulo 4: Dividindo as Delícias
Ethan tirou a mão da porta da geladeira e virou o rosto para o pai. Segurou a colher pequena que Alex tinha deixado na bancada e mergulhou devagar no pote de sorvete. A colher saiu cheia, com uma bolinha branca e cremosa. Ele estendeu o braço na direção do pai, os olhos azuis brilhando.
— Pai, esse aqui é seu — disse, a voz baixinha e firme.
Alex se abaixou e aceitou a colher. Ethan ficou quietinho, observando o pai levar o sorvete à boca. Quando viu o sorriso no rosto do pai, ele próprio mergulhou a colher de novo, agora para si. O frio doce derretia na língua, e ele fechou os olhos por um segundo, sentindo o gosto forte.
Depois apontou para o suco de laranja que ainda estava na prateleira. Alex pegou o copo transparente e colocou na mesa. Ethan se aproximou, inclinou a cabeça e cheirou outra vez, como tinha feito com o sorvete. O cheiro ácido e doce subiu rápido, diferente do primeiro. Ele repetiu o gesto, mais devagar, sentindo a diferença.
— Agora o suco — murmurou, quase para si.
Alex segurou o copo para que Ethan pudesse dar o primeiro gole pequeno. O líquido fresco escorreu pela garganta, deixando um gosto de laranja bem vivo. Ethan entregou o copo de volta e Alex tomou um gole também. Os dois repetiram o movimento, cheirando e provando, até o copo ficar pela metade.
Alex fechou a geladeira com calma. Ethan pegou a mão do pai e os dois foram até a mesa da cozinha. A luz suave que entrava pela janela deixava tudo mais calmo. Ethan subiu na cadeira, puxou o papel que já estava ali e o giz de cera laranja. Enquanto Alex colocava as colheres e o copo na frente dele, Ethan começou a desenhar.
Traçou um pote redondo, depois um círculo maior ao lado, pintando de amarelo forte. Parou, olhou o desenho e acrescentou mais uma bolinha, como se fosse outro sabor que ele estava inventando. A ponta do giz fazia barulhinho contra o papel. De vez em quando ele parava, cheirava o próprio braço como se ainda sentisse o cheiro do sorvete e do suco misturados, depois voltava a desenhar.
Quando terminou uma parte do desenho, Ethan desceu da cadeira, deu a volta e abraçou as pernas do pai com força. Ficou ali um tempinho, o rostinho encostado na calça de Alex.
— Obrigado, pai — disse, a voz abafada pela roupa, mas clara.
Alex passou a mão nas costas dele devagar. Ethan ficou mais um pouco, depois voltou para a cadeira, pegou o giz de cera de novo e continuou pintando, agora com um traço mais firme, como se quisesse guardar todos aqueles sabores no papel. O ar da cozinha continuava morno, e os dois ficaram ali, dividindo o silêncio gostoso da tarde.