Naquela tarde, o céu de Balneário Camboriú estava cheio de nuvens cinzentas, e o vento passava devagarinho lá fora, fazendo um som suave na janela. Dentro de casa, estava quentinho e gostoso. Ethan vestiu seu moletom azul e correu para o sofá, onde Alex já o esperava com um sorriso. A televisão mostrava o campo verde da copa do mundo, e os dois se aconchegaram um no outro, prontos para viver juntos aquela tarde especial.
Ethan segurava sua bola macia, sentindo o couro fofinho nos dedos. Ele olhou para a tela, depois para o pai, e seus olhos brilharam de alegria. Algo bom estava por vir — com chutes, gritos e abraços — e o sofá parecia o lugar mais seguro do mundo para brincar e torcer.

Capítulo 1: Primeiro Gol no Sofá
Ethan subiu no sofá com cuidado, afundando os joelhos na almofada fofa. Ele segurava a bola macia contra o peito, sentindo o couro lisinho encostar no moletom quentinho. Alex já estava sentado, e Ethan se arrumou bem pertinho dele, colando o corpo no braço do pai. A televisão mostrava o campo verde, os jogadores correndo de um lado para o outro, e Ethan apertou a bola mais forte, prestando atenção em cada movimento rápido.
— Olha, pai! — ele apontou para a tela, vendo um jogador de camisa amarela passar a bola para outro.
Alex sorriu e passou o braço em volta de Ethan, que se aconchegou mais ainda. O som da televisão enchia a sala, mas lá fora o vento continuava soprando baixinho contra as janelas, fazendo um assovio suave que entrava pelos cantos. Ethan olhou rápido para a janela e viu as nuvens cinzentas se movendo devagar no céu, depois voltou os olhos para o jogo.
— Tá frio lá fora — ele disse, apertando a bola contra as pernas.
— Mas aqui dentro tá quentinho — respondeu Alex, ajustando o moletom de Ethan que tinha subido um pouco nas costas.
De repente, o time fez uma jogada rápida. A bola rolou pelo campo, passou de um jogador para outro, e Ethan sentiu o coração bater mais depressa. Ele se inclinou para frente, segurando a bola com as duas mãos, os olhos bem abertos na tela. O jogador chutou forte, a bola entrou no gol, e um grito veio da televisão.
Ethan levantou a bola bem alto, esticando os braços até onde conseguia, e gritou com toda a força:
— Gooool!
O corpo dele pulou um pouquinho no sofá macio, as molas afundando e voltando devagar. Ele riu, sentindo a vibração do grito ainda na garganta, e baixou a bola de novo para o colo. Alex bateu palmas e bagunçou o cabelo loiro de Ethan, que ficou todo arrepiado.
— Foi um golaço! — disse Alex.
Ethan quis repetir o movimento. Ele levantou a bola mais uma vez, agora mais devagar, sentindo o peso dela nas mãos pequenas. Ergueu os braços e gritou de novo:
— Gol!
Dessa vez a voz saiu mais baixinha, quase um sussurro animado. Ele olhou para Alex, que continuava sorrindo, e depois virou o rosto para a janela. As nuvens lá fora ainda estavam passando bem devagar, como se não tivessem pressa nenhuma. Uma delas parecia um algodão enorme, e Ethan ficou um instante observando, com a bola ainda levantada no ar.
— A nuvem anda — ele falou, abaixando a bola e apontando para fora.
— Anda bem devagarinho — concordou Alex, olhando também.
Ethan colocou a bola de volta no colo e passou a mão sobre ela, sentindo o couro liso e as costuras firmes. Ele empurrou a bola de leve com a palma, fazendo ela rolar um pouquinho sobre as próprias pernas, e depois segurou de novo. O jogo continuava na televisão, os jogadores correndo e passando a bola, mas Ethan ainda estava pensando nas nuvens e no grito que tinha dado.
— Eu fiz gol — ele disse, olhando para Alex com um sorriso.
— Fez sim, e foi lindo — Alex respondeu, apertando o ombro de Ethan com carinho.
Ethan sentiu um calor gostoso no peito, daqueles que vêm quando a gente faz algo legal e alguém que a gente ama está perto para ver. Ele se ajeitou de novo no sofá, cruzando as pernas e deixando a bola bem firme no colo, pronta para o que viesse depois. O vento lá fora deu um assovio mais longo, e Ethan encostou a cabeça no braço de Alex, sentindo o tecido macio do moletom do pai roçar na sua bochecha.

Capítulo 2: Três Gritos Seguidos
O jogo continuou e Ethan ficou atento. Ele viu quando o time pegou a bola de novo e começou a correr para o outro lado do campo. Seus dedos apertaram a bola macia, e os pés ficaram apoiados no travesseiro que estava no chão, bem na frente do sofá. Alex inclinou o corpo para frente também, e os dois ficaram ali, lado a lado, acompanhando cada passe.
Quando o jogador chutou e a bola entrou no gol, Ethan não esperou nem um segundo. Ele levantou a bola no ar e gritou:
— Gol!
Mas dessa vez não parou. Abaixou a bola rápido, levantou de novo e gritou mais alto:
— Goool!
E repetiu uma terceira vez, esticando os braços com tanta força que o corpo inteiro balançou e os pés afundaram no travesseiro:
— Gooooooool!
Na terceira vez, a bola quase escapou da mão. Ela escorregou um pouquinho entre os dedos, e Ethan soltou uma risada alta, sentindo o coração bater rápido de alegria. Ele conseguiu segurar antes que caísse, puxando a bola de volta contra o peito e rindo mais ainda.
— Três gols! — ele disse, ainda rindo, e olhou para Alex com os olhos brilhando.
Alex riu junto e bateu palmas três vezes, no mesmo ritmo dos gritos de Ethan.
— Você tá virando artilheiro! — falou Alex, e Ethan não sabia direito o que era artilheiro, mas entendeu que era algo bom pelo jeito que o pai falou.
Ele quis fazer de novo. Ficou de pé no sofá, com cuidado, sentindo a almofada afundar sob os pés descalços. Segurou a bola com as duas mãos, levantou, gritou "Gol!" bem alto, depois abaixou e levantou outra vez. O travesseiro no chão ficou mais amassado, e Ethan sentiu o equilíbrio balançar um pouco quando pulou na terceira repetição.
— Cuidado aí, campeão — disse Alex, colocando a mão perto das costas de Ethan, pronto para segurar se precisasse.
Mas Ethan já tinha se ajeitado sozinho. Ele respirou fundo, sentindo o ar fresco que entrava pela fresta da janela, e apertou a bola contra o corpo. O vento lá fora assoviava baixinho, como se estivesse comemorando junto, e Ethan olhou para a janela mais uma vez. As nuvens continuavam cinzentas e lentas, mas agora ele nem se importava mais com elas. O que importava mesmo era o jogo, a bola na mão, o pai do lado.
Ele sentou de novo, meio cansado de tanto pular, e colocou a bola sobre as pernas. Passou a mão nela, sentindo o couro lisinho, e depois olhou para a televisão. O jogo ainda estava acontecendo, os jogadores correndo de um lado para o outro, e Ethan ficou imaginando como seria chutar uma bola de verdade em um campo grande daquele tamanho.
— Pai, eles correm muito — ele disse, apontando para a tela.
— Correm muito mesmo, e treinam bastante — respondeu Alex.
Ethan pensou nisso. Treinar. Ele tinha acabado de treinar no sofá, com a bola macia e o travesseiro no chão. Tinha levantado a bola três vezes, gritado três vezes, e na terceira tinha sido o mais forte de todos. Ele sorriu para si mesmo, sentindo o corpo ainda quentinho da empolgação, e encostou a cabeça no ombro de Alex.
O vento assoviou mais uma vez lá fora, e Ethan fechou os olhos rapidinho, só para sentir o som e o calor do moletom do pai. Depois abriu de novo e ficou olhando para a televisão, com a bola bem segura no colo, esperando o próximo lance. A tarde continuava fresca e nublada, mas dentro da sala estava tudo cheio de calor e risada e gols repetidos.

Capítulo 3: A Tela que Sumiu
Ethan ainda estava com o sorriso no rosto depois de gritar “Gol!” três vezes. A bola macia estava quentinha entre suas mãos pequenas, e ele sentia o couro lisinho escorregar um pouquinho de tanta empolgação. Do lado de fora, o vento passava devagar, fazendo a janela tremer de leve com um som de “vuummm”. Tudo estava gostoso e tranquilo no sofá, até que a televisão soltou um chiado fininho e a imagem piscou.
Primeiro as cores se misturaram, depois a tela ficou toda riscada de branco e, de repente, a imagem apagou de vez. O som do jogo sumiu e o silêncio encheu a sala como uma coberta macia. Ethan franziu a testa, e seus olhos azuis se grudaram na tela escura. Ele segurou a bola com mais força, apertando os dedinhos no couro, e sentiu o coração bater um pouco mais rápido — não de medo, mas de uma surpresa que apertava o peito.
— Cadê? — ele murmurou, virando a cabeça para Alex, que estava sentado ao seu lado.
Alex olhou para a televisão, depois para Ethan, e seu rosto ficou calmo, como sempre ficava quando alguma coisa saía do esperado. Ele passou a mão nas costas do filho e disse, com a voz baixinha e quente:
— O jogo deu uma fugidinha, filho. Deixa eu chamar ele de volta.
Alex pegou o controle remoto e apertou um botão, depois outro. A luzinha do controle piscou, mas a tela continuou preta. Ele tentou mais uma vez, inclinando o controle para cima, e o barulhinho dos cliques parecia uma música pequena no silêncio da sala.
Ethan não ficou parado esperando. Ele olhou para a bola que segurava, depois para o travesseiro grande que estava encostado no braço do sofá. O travesseiro era fofinho e meio pesado, do tamanho que deixava a brincadeira mais divertida. Sem tirar os olhos da bola, ele virou o corpo no sofá. O movimento foi devagar: primeiro ele dobrou os joelhos e afundou as mãos na almofada macia, sentindo o tecido liso do moletom roçar no assento. Depois girou a barriga para o lado, ficando de frente para o travesseiro, com a bola bem segura entre as pernas.
O pai ainda mexia no controle, mas dava para ver que ele estava olhando para Ethan com aquele sorriso que só aparecia nos cantinhos dos olhos. Ethan respirou fundo e levantou o pezinho, devagarzinho. A ponta do pé encostou na bola, e o couro cedeu um pouquinho, fazendo um barulho abafado de “tomp”.
Ele deu um chutinho leve, tão leve que a bola rolou rolando e bateu de mansinho na borda do travesseiro. O travesseiro balançou uns dois dedos e voltou para o lugar, como se tivesse feito um “oi”. Ethan sorriu, soltando uma risadinha que encheu a sala de um jeito bom. A bola quicou uma vez e parou. Ele esticou o braço e puxou a bola de volta para pertinho do pé, sentindo o moletom se ajustar nas costas com o movimento. A tela continuava preta, mas ele nem ligava mais. Agora, o que importava era a brincadeira que ele mesmo tinha inventado, bem alí, em cima do sofá.
O vento bateu de novo na janela, fazendo um som de “fiu”. Lá fora, o céu nublado deixava tudo um pouco escuro, mas dentro de casa a luz do abajur fazia um círculo amarelinho perto deles. Ethan sentiu o cheirinho bom do moletom do pai, que era uma mistura de sabão e de cafuné, e se arrumou melhor, ajeitando a bola com as duas mãos. Ele queria chutar de novo, mas dessa vez um pouquinho mais forte. E foi então que ele levantou o pé, os dedinhos apontando para cima, e mirou bem no meio do travesseiro.

Capítulo 4: Chutando até Conseguir
Ethan olhou para o travesseiro grande e para a bola parada ali pertinho. Ele deu um chutinho, e a bola foi reto, bateu no meio e voltou rolando, como se estivesse perguntando: “de novo?”. Ele riu e foi buscar a bola com a mão. Mas, quando tentou chutar pela segunda vez, o corpo dele pendeu um pouco para o lado.
O sofá era fofo demais, e o pé afundou na almofada antes de acertar a bola. Ethan sentiu o corpo balançar, o bumbum escorregar um dedo para a direita e o braço esquerdo subir sozinho para se equilibrar. O coração deu um tum mais forte, e ele quase caiu de lado. Por um instante, o mundo pareceu um barquinho balançando. Mas, antes que o susto crescesse, ele espalmou a mão bem aberta no assento e travou o corpo. A bola escapuliu do pé e rolou devagar até parar no cantinho do sofá.
— Opa! — ele falou baixinho, sentindo a respiração sair e entrar rápido.
Alex largou o controle no colo e já ia esticar o braço para ajudar, mas Ethan balançou a cabeça de leve e se ajeitou sozinho. Ele não queria parar. A brincadeira era dele, e ele ia dar um jeito. Ficou um tempinho ali, respirando devagar, sentindo o peito subir e descer dentro do moletom. O barulho do vento lá fora continuava, mas agora parecia mais amigo, como se estivesse torcendo por ele.
Ele esticou o braço e puxou a bola de volta, sentindo o couro lisinho deslizar na palma da mão. Passou os dedos na costura da bola, achando uma linha que fazia um biquinho, e deixou a sensação acalmar o corpo. Quando o coração já estava batendo bem tranquilinho, ele olhou para Alex por um segundinho. O pai estava ali, pertinho, com o rosto calmo e as mãos descansando no colo. Só de olhar, Ethan sentiu uma quentura gostosa que vinha de dentro.
Então ele tentou de novo. Dessa vez, apoiou o joelho com cuidado na almofada e colocou o pezinho bem firme, sentindo o sofá se moldar no lugar certo. Antes de chutar, ele fez uma careta de concentração, com a testa franzida e a língua aparecendo no cantinho da boca. Ergueu o pé devagar e mirou com toda a atenção.
O chute saiu mais certinho. A bola fez “póf” no travesseiro e voltou reto, sem desviar. Ele sentiu o corpo ficar no lugar, o bumbum bem grudado no sofá e o outro pé apoiado com firmeza. O equilíbrio veio devagar, como se o corpo entendesse o que precisava fazer. Um sorriso foi se abrindo no rosto, começando no olho e espalhando pela boca.
Ele quis repetir. Foi buscar a bola mais uma vez, colocou-a na frente do pé e, com um cuidado quase silencioso, chutou pela terceira vez. O movimento saiu liso: o pezinho foi e voltou, a bola fez o mesmo barulho gostoso e ficou quieta, e o corpo não balançou nada. O coração bateu calminho, como se estivesse dormindo um sono leve. Ethan soltou o ar pela boca, fazendo um “fu” que levantou um fiozinho do cabelo loiro na testa.
— Consegui! — ele falou, com a voz cheia de uma alegria que vinha do esforço bom.
Alex sorriu e bateu palmas macias, com aquele barulho que mais parece um carinho do que um aplauso. Ele não precisou dizer nada. Ficou ali, deixando a conquista de Ethan preencher a sala. Lá fora, as nuvens continuavam passando, e o vento fazia a janela estalar baixinho. Mas dentro do peito de Ethan, estava tudo quentinho, arrumado e feliz. Ele pegou a bola e a colocou no colo, passando a mão redonda de leve, sentindo que mesmo quando as coisas saíam diferentes do esperado, ele podia tentar de novo. E de novo. Até ficar do jeito que ele queria.

Capítulo 5: Abraço Depois do Jogo
A televisão voltou a funcionar de repente, com as cores vivas do campo aparecendo outra vez na tela. Ethan piscou os olhos e viu os jogadores comemorando mais um gol. Ele tentou levantar a bola de novo, mas o movimento saiu diferente dessa vez — mais calmo, como se o corpo já soubesse que o jogo estava chegando perto do fim. A bola ficou paradinha no colo, e ele passou a mão devagar sobre o couro macio enquanto o narrador falava animado e a torcida gritava longe dali.
Alex apontou para a tela e disse: "Olha, Ethan, está acabando." Ele ouviu a voz do pai e sentiu o ombro quentinho encostando no seu. O som da televisão ficou mais baixinho quando o juiz levantou o braço e apitou três vezes. Piiii. Piiii. Piiii. Ethan imitou o som baixinho, fazendo "piii" com a boca pequena, e depois olhou para a bola no seu colo como se ela também tivesse participado de tudo.
O jogo terminou de verdade. A tela agora mostrava os jogadores se abraçando no campo, e Ethan viu aquilo com atenção. Ele largou a bola no sofá, bem devagar, sentindo os dedos se soltarem do couro quentinho. A bola ficou ali, afundando um pouquinho na almofada fofa, e ele se virou para Alex com um movimento rápido, como quem toma uma decisão importante.
Ethan subiu no colo do pai com os joelhos firmes, apoiou as mãos pequenas nos ombros dele e deu um abraço apertado. Apertou com força, sentindo o moletom quentinho encostar no rosto, e fechou os olhos por um instante. O cheiro do moletom era gostoso — um cheiro de roupa limpa misturado com o calor da tarde fresca, um cheiro que ele conhecia bem e que fazia o coração ficar calminho dentro do peito. O vento lá fora continuava assoviando baixinho na janela, mas dentro do abraço estava tudo parado e seguro.
Ele respirou fundo, sentindo o peito encher de ar, e disse com a voz baixinha, quase um sussurro que só o pai podia ouvir: "Obrigado, pai." As palavras saíram pequenas e redondas, como se cada uma fosse uma bolinha macia que ele entregava junto com o abraço. Alex apertou ele de volta, e Ethan sentiu a mão grande do pai fazer um carinho nas suas costas, subindo e descendo devagar, como as ondas do mar que ele gostava de ver na praia.
Depois de um tempinho, Ethan se soltou do abraço e olhou para a bola que tinha ficado no sofá. Ele se inclinou, pegou a bola com as duas mãos e virou de novo para Alex. Com cuidado, colocou a bola no colo do pai, como se fosse um presente — do mesmo jeito que ele às vezes entregava seus brinquedos favoritos quando queria mostrar que gostava de alguém. A bola ficou ali, redonda e macia, e ele deu um tapinha de leve nela antes de olhar para o rosto do pai.
O sorriso de Alex iluminou o cantinho do sofá, e Ethan sentiu uma coisa gostosa subir pela barriga, uma sensação que não tinha nome, mas que parecia suco de laranja gelado num dia de calor — só que ao contrário, porque o dia estava fresquinho e a sensação era quentinha. Ele se aconchegou de novo ao lado do pai e olhou para a janela. Lá fora, o vento continuava passando devagar, balançando as folhas das árvores que ele conseguia ver do sofá. As nuvens cinzentas ainda cobriam o céu de Balneário Camboriú, e a luz suave da tarde entrava pela sala, deixando tudo com uma cor de descanso.
Ethan encostou a cabeça no braço de Alex e ficou olhando para fora, sentindo o corpo relaxar depois de tanta brincadeira. A bola estava no colo do pai, a televisão agora mostrava imagens calmas do estádio vazio, e o som do vento lá fora parecia uma música bem baixinha. Ele suspirou, um suspiro pequeno e satisfeito, e deixou os olhos passearem pelas nuvens que se moviam devagar no céu. A tarde nublada tinha sido cheia de gols, chutes, tentativas e abraços, e agora ele sentia que tudo estava exatamente no lugar certo — o pai ali do lado, a bola entregue como presente, o cheiro de moletom quentinho e o vento fazendo companhia do lado de fora.