História personalizada

Delícia Delícia com o Papai

Para Ethan 4 horas atrás

Num dia assim, mais friozinho, com o céu todo cinza e o vento batendo de leve na janela, a cozinha de casa ficou quentinha e cheirosa. Ethan entrou devagar, com seu casaco leve bem fofinho, e viu o pai Alex sentado à mesa. Na frente dele, uma laranja grande e brilhante, daquelas bem alaranjadas.

Ethan chegou pertinho, ficou na ponta dos pés e olhou curioso. O ar tinha um cheiro doce e gostoso, e lá fora o vento passava mansinho, quase fazendo cosquinha na vidraça. Era um dia perfeito para ficar juntinho e descobrir o que o pai ia fazer com aquela laranja tão bonita.

O coraçãozinho de Ethan bateu animado. Algo delicioso estava para acontecer.

Capítulo 1: Os Primeiros Pedacinhos

A laranja estava inteira na tábua de madeira, com a casca bem alaranjada e brilhando um pouquinho por causa da luz da cozinha. O pai Alex segurou a faca com calma e fez o primeiro corte. Fez um barulho baixinho, como se a laranja estivesse suspirando: shhhhht. Depois cortou de novo, e de novo, até a laranja se abrir em duas metades iguais, mostrando os gominhos cheios de suco lá dentro.

Ethan ficou na ponta dos pés. As meias escorregavam de leve no chão da cozinha, mas ele se equilibrou firme, com as mãozinhas apoiadas na beirada da mesa. O casaco leve fazia um frufruzinho cada vez que ele se mexia. Ele olhou para as metades da laranja e depois para o pai, com os olhos azuis bem abertos e as sobrancelhas levantadas.

— Vou cortar em pedacinhos — disse o pai Alex, e a voz dele saiu macia, quase no mesmo ritmo do vento lá fora.

O pai pegou uma das metades e começou a cortar devagar. A faca descia e subia, e cada vez que descia, um pedacinho novo aparecia. Eram triângulos pequenininhos, com a casca por fora e a polpa brilhando por dentro. Ethan acompanhava cada movimento com a cabeça, indo um pouquinho para a esquerda, um pouquinho para a direita, como se estivesse dançando parado.

O cheiro da laranja foi enchendo a cozinha. Era um cheiro doce e fresquinho ao mesmo tempo, que fazia a boca da gente se encher de água. Ethan puxou o ar bem fundo e depois soltou devagar, sentindo o nariz ficar geladinho por dentro.

Quando os pedacinhos ficaram prontos, o pai Alex arrumou alguns em um prato pequeno, bem na frente de Ethan. O prato era branco e os pedaços de laranja pareciam pedacinhos de sol em cima dele. Ethan olhou para o prato, depois para o pai, e o pai fez que sim com a cabeça, sorrindo.

— Pode pegar, filho.

Ethan escolheu um pedacinho. A mãozinha dele parou no ar por um instante, pairando sobre o prato, como se estivesse escolhendo o melhor de todos. Ele pegou um triângulo que tinha a casca mais clarinha e a polpa mais gordinha. Segurou com cuidado, usando as pontas dos dedos, porque o pedacinho era pequeno e escorregadio.

Quando ele apertou de leve, uma gotinha de suco escorreu e fez cócegas na palma da mão. Ethan olhou para a gotinha, que brilhava como se fosse uma lágrima de laranja, e depois levou o pedacinho até a boca.

Ele deu a primeira mordida.

O suco veio de uma vez, geladinho e doce, enchendo a boca inteira. As bochechas dele se mexeram enquanto mastigava, indo para cima e para baixo, e um fiozinho de suco quase escapou pelo canto da boca, mas ele lambeu rapidinho. Os olhos se fecharam um pouquinho, e um sorriso apareceu no rosto inteiro.

— Delícia delícia — ele falou baixinho, quase num sussurro, e as mãozinhas bateram de leve na mesa, fazendo um tum-tum-tum bem macio.

Ele ainda estava sentindo o gosto quando repetiu de novo, agora um pouco mais alto:

— Delícia delícia.

E as mãozinhas voltaram a bater na mesa, tum-tum, como se estivessem acompanhando uma música que só ele ouvia. O pai Alex apoiou o queixo na mão e ficou olhando, com um sorriso que ia de uma orelha à outra.

Ethan pegou o restinho do pedaço que ainda estava na mão e colocou inteiro na boca. Dessa vez, o suco foi mais forte, e ele fez um barulhinho com a boca: nhac, nhac, nhac. As bochechas continuavam se mexendo, e ele balançava a cabeça para frente e para trás, como se estivesse dizendo "sim, sim, sim" para a laranja.

Quando terminou de mastigar, ele olhou para o prato outra vez. Os outros pedacinhos estavam lá, esperando. Ele esticou a mão, mas parou no meio do caminho. Olhou para o pai, que continuava sentado quietinho, só observando. Então ele falou pela terceira vez, agora bem devagar, como se estivesse guardando a palavra num potinho:

— Delícia delícia.

E bateu as mãozinhas na mesa uma última vez, tum, e depois deixou as mãos quietinhas uma do lado da outra, esperando o que viria depois.

Capítulo 2: Oferecendo ao Papai

Ethan ficou olhando para o prato por mais um tempinho. Os pedacinhos de laranja estavam lá, brilhando, e o cheiro doce ainda dançava no ar da cozinha. Lá fora, o vento continuava batendo de mansinho na janela, como se pedisse licença para entrar, mas a cozinha permanecia quentinha e segura.

Ele esticou a mão de novo e pegou outro pedacinho com o mesmo cuidado de antes. Os dedinhos seguraram firme, mas sem apertar demais, porque ele já tinha aprendido que se apertasse muito, o suco escorria e fazia lambança. Dessa vez, porém, em vez de levar direto para a boca, ele parou.

Olhou para o pedacinho na sua mão. Depois olhou para o pai Alex, que continuava sentado ao lado dele, com os braços apoiados na mesa e um sorriso calmo no rosto. O pai não estava comendo. Só estava ali, acompanhando, como sempre fazia.

Ethan levantou o pedacinho de laranja e esticou o braço na direção do pai. A mãozinha ficou pairando no ar, bem na frente do rosto do pai, com o triângulo alaranjado apontado para ele como se fosse um presente pequenininho. O suco da laranja deixou a ponta dos dedos de Ethan um pouquinho grudenta, mas ele não se importou.

O pai Alex olhou para o pedacinho, depois para Ethan, e os olhos dele ficaram mais brilhantes. Ele não pegou o pedaço. Em vez disso, abriu a boca devagar e se inclinou para frente, esperando.

Ethan entendeu. Ele manteve a mãozinha bem firme, sem tremer, e levou o pedacinho até a boca do pai. Os dedinhos tocaram de leve nos lábios do pai, e então o pai deu uma mordida pequena. Fez um barulho de quem está saboreando: hmmmm. O pedacinho sumiu dentro da boca do pai, e Ethan ficou olhando, com a mão ainda esticada.

Enquanto o pai mastigava, Ethan não se mexeu. Deixou as mãos paradinhas uma do lado da outra sobre a mesa, os dedos abertos como estrelinhas. Os pezinhos, que antes balançavam, também ficaram quietos embaixo da cadeira. Ele esperou. O tempo parecia mais lento, como se a cozinha inteira estivesse prendendo a respiração junto com ele.

O pai Alex terminou de mastigar e passou a língua nos lábios. Depois olhou para Ethan e disse, com a voz cheia de carinho:

— Muito obrigado, meu filho. Estava uma delícia.

Foi aí que Ethan bateu palminhas. Foi uma palminha só, bem de leve, com as mãos se encontrando no ar e fazendo um plaft quase silencioso. O som foi tão baixinho que mais parecia um segredo. Ele sorriu com a boca toda, mostrando os dentinhos pequenos, e os olhos azuis se apertaram de tanta alegria.

Depois da palminha, ele olhou para o prato outra vez. Ainda tinha pedacinhos. Ele respirou fundo, sentindo o cheiro bom que não ia embora, e então falou com a voz bem baixinha, quase um pedido de passarinho:

— Mais um, por favor.

A voz saiu tão mansa que o pai precisou se inclinar um pouquinho para escutar melhor. Mas ele escutou. E entendeu. E sorriu de novo, aquele sorriso que fazia Ethan sentir que tudo estava certo.

O pai Alex pegou mais uma metade da laranja e cortou outro pedacinho, do mesmo jeito cuidadoso, com a faca fazendo shhhht na tábua. Dessa vez, em vez de colocar no prato, ele colocou o pedacinho diretamente na palma da mão de Ethan. Os dedos do pai tocaram de leve na mão pequenininha, e Ethan sentiu o calor gostoso que vinha daquele toque.

— Aqui está — disse o pai.

Ethan fechou os dedos em volta do pedacinho com muito cuidado. Sentiu a casca geladinha, o formato de triângulo se encaixando certinho na palma da mão. Ele olhou para o pedacinho, depois para o pai, e seus lábios se mexeram sem fazer barulho, formando um "obrigado" que ainda não tinha som, mas que o pai entendeu perfeitamente.

Capítulo 3: Pedindo com Calma

Ethan ficou paradinho na cadeira, com as mãos apoiadas no colo. Seus olhos acompanhavam o pai Alex, que segurava a laranja com cuidado. A fruta estava menor agora, porque muitos pedacinhos já tinham sido cortados e comidos. O cheiro doce ainda pairava no ar, misturado com o barulho do vento que passava do lado de fora da janela. O pai segurou a faca mais uma vez, e Ethan observou cada movimento, como se estivesse vendo um show. A lâmina desceu devagar, fazendo o som gostoso de fruta se abrindo: shhhht. Mais um pedacinho se soltou, brilhando com o suco que escorreu um pouquinho para a tábua.

Ethan não se mexeu. Sentiu o assento da cadeira firme embaixo dele e os pés balançando de leve, sem pressa. O pai colocou o novo pedacinho no prato, perto dos outros, e Ethan continuou esperando. Não esticou a mão, não pediu correndo. Só ficou olhando para a laranja, sentindo a boca se encher d'água devagarinho. Ele sabia que a vez ia chegar. O relógio da cozinha fez tique-taque, tique-taque, e o vento respondeu com um sopro mais longo, fazendo a janela tremer de mansinho.

O pai Alex limpou a faca, enxugou as mãos num paninho e olhou para Ethan. Os olhos azuis do menino encontraram os do pai, e um sorriso pequeno apareceu no canto da boca. O pai perguntou baixinho:
— Quer mais um, Ethan?
Ethan respirou fundo. Sentiu o ar entrar pelo nariz, trazendo o perfume da laranja. Então falou, bem devagar, cada palavra saindo redondinha:
— Mais um, por favor.

A voz saiu calma, como se ele estivesse cantando uma canção muito suave. O pai pegou o pedacinho do prato e entregou na mãozinha dele. Ethan segurou com a ponta dos dedos, sentindo a textura da casca e a polpa macia. O pedacinho estava geladinho, quase frio, porque a laranja tinha vindo da geladeira. Ele levou à boca e mordeu com cuidado, sentindo o suco se espalhar pela língua. Estava docinho e gelado ao mesmo tempo, como um picolé natural. As bochechas se mexeram enquanto mastigava, e os olhos se fecharam por um segundo, só para sentir melhor.

O suco escorreu um pouquinho pelo canto da boca, e Ethan passou a língua para pegar. O pai observava tudo, apoiando o queixo na mão, com um sorriso calmo. Ethan engoliu e sentiu a garganta fresquinha. Então, sem pressa, ele falou de novo, baixinho como se fosse um segredo:
— Delícia, delícia.

Falou só duas vezes, com a voz bem mansa. As mãos continuaram paradinhas no colo, os dedos entrelaçados um no outro. Ele não bateu na mesa, não balançou os braços. Só deixou as palavras saírem devagar, como bolhas de sabão que flutuam no ar. O pai escutou cada sílaba, e o sorriso dele ficou maior, mas ainda quieto.

Depois, Ethan olhou para o prato e viu que ainda tinha mais pedacinhos. O suco deles brilhava sob a luz amarela da cozinha. Mas ele não pediu outro na mesma hora. Em vez disso, levantou os olhos para o pai e falou, com a mesma calma de antes:
— Obrigado, pai.

A gratidão saiu natural, como se ele estivesse dizendo “bom dia” ou “até logo”. As mãos continuaram no colo, juntinhas, e os pés pararam de balançar por um instante. O pai estendeu o braço e tocou de leve a cabeça de Ethan, alisando os cabelos loirinhos. O toque foi rápido, mas quentinho, como um carinho de passarinho. Ethan sentiu e fechou os olhos de novo, aproveitando a sensação.

O vento lá fora continuava seu trabalho, soprando contra as folhas das árvores e fazendo um barulho que parecia um “shhhhh” comprido. Dentro da cozinha, o silêncio era gostoso, cheio de cheiros e de gestos pequenos. Ethan olhou para a laranja que ainda restava e pensou que cada pedacinho era como um presente. Ele sabia esperar agora. Aprendera que a paciência deixava o gosto ainda mais doce.

O pai pegou a faca outra vez, e Ethan viu que ia cortar mais um pedacinho. Dessa vez, ele não ficou na ponta dos pés nem esticou o pescoço. Ficou sentado, quietinho, sentindo a cadeira firme e o chão embaixo dos pés. O barulho da faca veio mais uma vez: shhhht. O cheiro da laranja se renovou, como se a fruta estivesse feliz por ser partilhada. Ethan respirou fundo e esperou, com a calma de quem já sabe que a vez sempre chega quando a gente sabe pedir e agradecer.

Capítulo 4: Barriga Cheinha

Ethan olhou para o prato e viu que só restava um último pedacinho de laranja. Ele estava lá, pequenino e brilhante, com o suco escorrendo devagar para a beirada. O pai Alex segurou a faca pelo cabo e limpou a lâmina no

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