Na tarde fresca e úmida de Balneário Camboriú, com a garoa batendo leve na janela e o cheiro de chuva no ar, Ethan olhava para o vapor que subia da banheira morna.
Papai ajustava a água, deixando os brinquedos de banho flutuando, e estendia a mão para o filho. Era hora de um banho calmo, onde cada gesto seria repetido com carinho e segurança.
Capítulo 1: Entrando na Banheira Morna
Ethan segurou a mão estendida e começou a tirar a blusa quentinha, dobrando-a devagar antes de colocá-la no banco ao lado. O ar úmido da tarde entrou pela janela, mas ele já sentia o calor da banheira chamando. Com passos miúdos e firmes, subiu pela borda, apoiando primeiro um pé e depois o outro, sentindo a água morna subir devagar pelos dedos e depois alcançar os tornozelos como um cobertor macio.
Sentado na banheira, Ethan pegou o barquinho de plástico que boiava perto e o girou uma vez para ver como ele se equilibrava. O vapor subia em voltas finas, e o som leve da garoa batia na vidraça lá fora. Ele respirou fundo, pronto para começar. Mergulhou a mão direita devagar na água, fazendo uma onda pequena que se abriu e parou bem antes de tocar o tapete seco. “Uma”, contou baixinho, sentindo o braço firme e o corpo inteiro concentrado para não deixar nada escapar.
Na segunda vez, ele mergulhou um pouco mais fundo, mas controlou o movimento para que a onda ficasse ainda menor. O barquinho balançou de leve, navegando sem sair do lugar, e Ethan observou com atenção, pensando que cada vez ele conseguia deixar as ondas mais quietas. “Duas”, repetiu, orgulhoso por conseguir mexer a mão sem molhar o chão. Papai ficou ao lado, observando com um sorriso calmo, sem precisar ajudar.
Para a terceira vez, Ethan ergueu o braço bem devagar depois do mergulho, deixando a água escorrer de volta para dentro da banheira. A onda foi a menor de todas, quase invisível. “Três”, disse ele com a voz firme, sentindo o calor subir mais pelo corpo e o peito leve por ter feito tudo certo. Ele segurou o barquinho com as duas mãos agora, mexendo a água em volta dele devagar, só para ver como o brinquedo se movia sem criar bagunça. O calor envolvia seus ombros, e ele sentiu o corpo mais relaxado, seguro de que podia brincar ali sem preocupações, com papai por perto para qualquer coisa.
Capítulo 2: Observando as Bolhinhas que Sobem
Ethan mergulhou a mão na água pela terceira vez e, ao puxar devagar, parou para ver o que acontecia depois. As bolhas pequenas subiam em fila, como se subissem degraus invisíveis, brilhando um pouco antes de chegar na superfície. Ele segurou o barquinho firme com a outra mão e inclinou o corpo para frente, sentindo o vapor morno subir até o queixo. Uma bolha maior parou perto dos seus dedos, balançando de um lado para o outro.
Com a ponta do dedo ele tocou de leve. A bolha estourou devagar, quase sem barulho, e a água fez um pequeno círculo que sumiu logo. Ethan repetiu o mergulho da mão uma, duas, três vezes de novo, mas agora bem mais devagar. Na primeira vez ele apertou só um pouquinho e a bolha desapareceu rápido. Na segunda vez ele esperou mais, vendo como ela mudava de forma antes de ir embora. Na terceira vez ele ficou bem quieto, ouvindo o som suave “tique” que saía quando ela estourava.
O barquinho balançava ao lado, mas ele nem mexeu nele. Queria entender de onde vinham aquelas bolhinhas e por que algumas duravam mais que outras. O vapor da água quente tocava seu rosto e fazia a pele formigar de um jeito gostoso. Ethan levantou o dedo molhado e apontou para o lado, dizendo baixinho:
— Olha, papai. Escuta.
Ele repetiu o toque na bolha mais uma vez, só para mostrar. O som saiu mais claro agora, quase como uma gotinha caindo. O pai ficou perto, observando sem falar nada, e Ethan sentiu que tinha descoberto algo só dele. A curiosidade deixava tudo mais calmo dentro da banheira, enquanto lá fora a garoa continuava batendo leve na janela. Ele respirou fundo, ainda olhando as bolhas que subiam, pronto para tentar de novo.
Capítulo 3: Brincando sem Molhar o Chão
Ethan segurou o barquinho com mais firmeza na mão esquerda e respirou fundo, olhando para o chão seco ao redor da banheira. Queria mergulhar a mão outra vez, mas agora com mais força, sem deixar nenhuma gotinha escapar. A água morna tocava seus dedos enquanto ele balançava o brinquedo devagar, sentindo o peso leve do plástico na palma.
Ele mergulhou a mão direita com determinação, empurrando um pouco mais fundo que antes, criando uma onda pequena que subiu só até a metade da banheira. Depois ergueu o braço bem devagar, quase sem movimento, e observou a água escorrer de volta sem respingar nada no tapete. O barquinho balançou na outra mão, fazendo um barulhinho suave ao tocar a superfície. Um, pensou ele em voz baixa, e repetiu o gesto logo em seguida, agora controlando ainda melhor o braço para que as gotas ficassem todas dentro.
No segundo mergulho, Ethan apertou os dedinhos com mais vontade, sentindo o calor subir pelo pulso e a água se mover ao redor da mão. Ele levantou devagar de novo, olhando para o chão que continuava seco, e sorriu sem falar nada. Dois. A responsabilidade o fazia ficar quietinho, concentrado em não deixar a água escapar, enquanto o brinquedo ficava firme na outra mão.
Na terceira vez, ele mergulhou com ainda mais firmeza, o braço descendo decidido mas o corpo inteiro imóvel para não balançar a banheira. Ao puxar para cima, controlou o movimento com calma, gota por gota voltando para dentro. Três. Olhou de novo para o tapete macio do lado de fora e abriu um sorriso largo, satisfeito por ter conseguido tudo certinho. O cheiro úmido da tarde entrava pela janela, misturado com o vapor que subia da água.
Papai ficou bem perto, sem se mexer muito, e disse baixinho: “Você fez muito bem, Ethan.” Ele estendeu a mão para secar qualquer possível respingo que pudesse aparecer, mas não precisou. Ethan balançou o barquinho uma última vez, sentindo o corpo mais leve depois de controlar tudo com cuidado.
Capítulo 4: A Canção Junto com Papai
Ethan puxou a mão devagar depois do terceiro mergulho, soltando o barquinho dentro da água para que ele flutuasse sozinho. Nenhuma gotinha escapou da banheira. Ele respirou fundo, satisfeito por ter mantido tudo no lugar, e olhou para o pai que já estendia a toalha grande. O banho estava terminando.
O pai o ajudou a sair com cuidado, enrolando o corpo todo na toalha macia e quente que tirava o frio do ar úmido. Ethan sentiu o tecido macio apertando de leve contra a pele, enquanto o pai secava com movimentos calmos e firmes. Lá fora, a garoa continuava batendo na janela sem pressa.
— Vamos cantar a musiquinha agora? — perguntou o pai baixinho.
Ethan assentiu e eles começaram juntos, repetindo a mesma canção três vezes seguidas. Na primeira vez, cantaram devagar, com o pai marcando o ritmo na palma da mão: uma mergulhada, duas mergulhadas, três mergulhadas, bolhinhas sobem e voltam. Na segunda vez, Ethan entrou mais forte na melodia, batendo o pé dentro da toalha. Na terceira, ele bateu palminhas no final, bem no “plim plim plim” das bolhas que imaginava subindo. A voz saiu firme, repetindo cada parte com vontade, como se a música ajudasse a guardar tudo que tinha acontecido no banho.
Quando a canção acabou, o pai tirou a toalha e colocou o roupão quentinho nos ombros de Ethan, que já se sentia mais leve. O menino caminhou até a bancada do banheiro e pegou o copo de suco que o pai tinha deixado pronto. Segurou com as duas mãos, tomou um golinho devagar, sentindo o líquido fresco descendo e espalhando um calor gostoso pelo peito. O corpo inteiro relaxou, os ombros baixaram e ele ficou ali, quietinho, escutando o som leve da chuva do lado de fora. Em casa, tudo parecia certo e seguro.