História personalizada

Voando Devagar com as Estrelas

Para Ethan 4 horas atrás

No quarto quentinho, com o vento frio lá fora, Ethan vestiu seu agasalho macio e se sentou na cama, bem ao lado do pai Alex.

Os livros de espaço estavam abertos no colo, cheios de páginas coloridas. O ar cheirava a lã e papel, e uma brincadeira de imaginar viagens começava, bem devagar.

Capítulo 1: Abrindo o Livro das Planetas

Ethan puxou o cobertor azul até os joelhos e deu um tapinha na cama, bem do lado dele, chamando o pai Alex para sentar mais perto. O agasalho fazia um frufruzinho macio cada vez que ele mexia os braços, e o quarto estava tão quentinho que dava vontade de ficar ali a manhã inteira. Lá fora o vento assoviava baixinho na janela, mas dentro o tapete fofinho e as almofadas empilhadas faziam um ninho seguro.

O livro grande estava no colo do pai, com a capa cheia de círculos coloridos e pontos brilhantes. Ethan esticou as duas mãos pequenas e segurou a borda da capa, puxando o livro para o seu lado. "Agora eu", disse ele, ajeitando o livro sobre as próprias pernas. O pai Alex ajudou a equilibrar o peso, deixando uma ponta apoiada no joelho dele também, e Ethan sentiu o papel liso debaixo dos dedos.

Ele abriu a primeira página devagar, ouvindo o barulhinho do papel se descolando. Dentro tinha uma imagem enorme: um planeta amarelo, todo redondo, com anéis fininhos em volta como se fossem argolas de brincar. Ethan arregalou os olhos azuis e ficou um tempinho só olhando, sem piscar, com a boca meio aberta. Depois levantou o dedinho indicador e encostou bem de leve no planeta desenhado.

"Olha", falou baixinho, quase um sussurro. O dedo dele contornou o círculo amarelo, seguindo a curva com muito cuidado, como se o desenho pudesse sair do papel e flutuar pelo quarto. O pai Alex ficou quieto, sorrindo, esperando o que vinha em seguida.

Ethan deslizou a mão até a ponta da página e virou a folha bem devagar, sentindo a textura áspera da borda. Enquanto a página subia e descia para o outro lado, ele murmurou: "Voar." A palavra saiu pequenininha, arrastada, como se fosse um segredo contado para o livro.

A página nova mostrava um céu escuro cheio de pontinhos prateados. Eram estrelas de vários tamanhos, umas bem pequeninas, outras maiores, espalhadas como areia fina na praia. Ethan inclinou a cabeça para o lado, olhando tudo com atenção, e passou a mão aberta sobre o papel como se quisesse sentir as estrelas na palma. O quarto ficou em silêncio, só o som das folhas roçando uma na outra quando ele alisava a página.

O pai Alex se aproximou um pouquinho mais, o braço encostando de leve nas costas do Ethan, e apontou para uma estrela maior no canto da página. "Essa é bem grandona, né?", disse com voz calma. Ethan acompanhou o dedo do pai com os olhos e depois voltou a olhar as outras estrelas, escolhendo uma bem pequenininha para cutucar com a unha.

"Essa", ele disse, e depois repetiu: "Voar." Dessa vez a palavra saiu um pouco mais forte, como se estivesse tomando coragem. Ele bateu a mãozinha na página, fazendo um poc poc suave, e olhou para o pai Alex esperando uma resposta.

O pai puxou outra ponta do cobertor, cobrindo os pés do Ethan que tinham saído para fora, e falou: "As estrelas ficam lá no espaço, bem longe. Mas a gente pode imaginar que está voando perto delas." Ethan ouviu tudo sem desviar o olhar do livro, os dedos ainda tocando os pontinhos prateados. Ele fez um movimento com a mão, subindo e descendo, como se fosse um pássaro planando.

"Voa, voa", cantarolou baixinho, balançando o corpo para frente e para trás. O agasalho esquentava as costas e os braços, e o cobertor nos pés dava uma sensação boa de aconchego. Ele fechou a página com cuidado, apertando as bordas com as duas mãos, e depois abriu de novo no mesmo lugar, só para ver as estrelas aparecerem mais uma vez.

O pai Alex deixou a mão parada perto do livro, pronto para ajudar se Ethan precisasse, mas o menino já segurava as páginas com firmeza, os dedinhos prendendo as folhas sem amassar. Ele olhou para o planeta amarelo na página anterior, depois para as estrelas, e juntou os dois lados do livro abertos como se fosse uma grande janela para o céu. O quarto continuava silencioso, com o vento só um chiado longe, e Ethan sentiu o cheiro bom de papel misturado com o calor do agasalho.

Capítulo 2: Repetindo o Voar nas Páginas

Ethan encostou o indicador na ponta da folha e puxou devagar, virando mais uma página do livro. Dessa vez apareceu um desenho diferente: um foguete comprido, branco e vermelho, com uma janelinha redonda no meio e chamas laranja saindo da parte de baixo. Ele ficou olhando fixamente para aquela forma, os olhos azuis brilhando de curiosidade, e inclinou o corpo para frente até quase encostar o nariz no papel.

"Voaaaar", ele disse, bem arrastado, esticando a palavra como se estivesse testando o som dentro da boca. A voz saiu mais baixinha no começo e foi crescendo no final, igual a um foguete subindo devagar e depois ganhando velocidade. Ele repetiu o som mais uma vez, agora mexendo a cabeça para cima enquanto falava, acompanhando o movimento com os olhos grudados no foguete desenhado.

O pai Alex percebeu a curiosidade e se inclinou também, apontando para a janelinha redonda do foguete. "Sabe o que é isso? É um foguete de verdade, igual aos que vão para o espaço." Ethan levantou o rosto rapidinho, olhou para o pai com as sobrancelhas levantadas, e depois voltou a examinar o desenho. Ele passou o dedo sobre a chama laranja, sentindo a tinta lisa e brilhante, e fez um barulhinho com a boca: "Ffffsssshhh", imitando o fogo saindo.

O agasalho subiu um pouco nas costas quando ele se inclinou mais, e o tecido quentinho roçou no pescoço. Ethan ajeitou a gola com um puxão rápido, sem tirar os olhos do livro, e depois bateu a mão espalmada bem em cima do foguete. "Meu", declarou, com aquela firmeza que aparecia quando ele decidia alguma coisa importante.

O pai Alex sorriu e confirmou: "Pode ser seu foguete, sim. Para onde você vai com ele?" Ethan pensou um pouquinho, mordendo o lábio de baixo, e depois apontou para a página anterior, onde estavam as estrelas. Ele voltou a folha com cuidado, comparou os dois desenhos lado a lado, e traçou uma linha imaginária no ar com o dedo, ligando o foguete às estrelas.

"Voa lá", explicou, e o dedo subiu pelo ar fazendo curvas, desviando de planetas invisíveis. Ele repetiu o gesto mais duas vezes, cada vez com um caminho diferente, como se estivesse desenhando rotas no céu do quarto. A cada curva nova, murmurava "voar" outra vez, a palavra ficando cada vez mais natural na boca.

O vento lá fora bateu um pouquinho mais forte na janela, fazendo um tuim abafado, mas Ethan nem se mexeu. Estava ocupado demais explorando o foguete com os olhos e com as mãos. Ele percebeu que o desenho tinha uma portinha pequena perto da janela redonda e cutucou aquele ponto exato com a unha. "Abre?", perguntou, olhando para o pai Alex.

"Deve abrir para os astronautas entrarem", respondeu o pai, com a voz calma e paciente. "Os astronautas são pessoas que viajam no foguete e flutuam lá no espaço." Ethan arregalou os olhos de novo e fez um movimento com os braços, como se estivesse flutuando também, o corpo balançando de um lado para o outro em câmera lenta.

Ele largou o livro por um instante, só para esticar os dois braços para os lados e fingir que estava boiando no ar. "Tô voando", anunciou, rindo baixinho, e depois caiu de volta sobre as almofadas com um suspiro feliz. O agasalho amassou um pouco na barriga, mas ele nem ligou, já estava puxando o livro de volta para o colo.

Com as duas mãos, abriu o livro na página do foguete outra vez e alisou o papel com a palma, tirando uma dobrinha imaginária. Depois encostou o ouvido na página, como se esperasse ouvir o barulho do motor, e ficou assim por uns segundos, completamente parado, os olhos piscando devagar.

"Tá quieto", concluiu, levantando a cabeça. O pai Alex explicou que no livro o foguete não fazia barulho, mas que no espaço de verdade o silêncio era enorme. Ethan pareceu gostar dessa ideia, porque fez um gesto de shhhh com o dedo na frente da boca e ficou imitando o silêncio do espaço, os olhos brilhando de imaginação.

Ele voltou a virar as páginas, agora com mais confiança, encontrando novas imagens de planetas coloridos, nuvens roxas e mais estrelas espalhadas. A cada página nova, repetia "voar" baixinho, como se fosse um combinado secreto entre ele e o livro, e o pai Alex permanecia ali do lado, respondendo às perguntas que surgiam e deixando o calor da presença preencher o quarto.

Capítulo 3: Transformando o Cobertor em Nave

Ethan escorregou da cama devagar, os pés descalços tocando o tapete felpudo com um ploft bem baixinho. Ele olhou para o cobertor azul que ainda estava enrolado nos joelhos e teve uma ideia. Puxou o cobertor com as duas mãos, sentindo o tecido macio deslizar pelos dedos, e jogou por cima da própria cabeça. O cobertor caiu como uma tenda, cobrindo os olhos, os ombros e as costas, e Ethan soltou uma risada abafada, daquelas que sacodem a barriga sem fazer muito barulho.

— Vrummm — ele murmurou, balançando o corpo de um lado para o outro.

O cobertor-azul-agora-nave balançava junto, e Ethan deu um passo no tapete como se estivesse flutuando. Os carrinhos de brinquedo estavam espalhados no chão, perto dos livros, e ele se abaixou com cuidado para não derrubar o cobertor da cabeça. A ponta do tecido roçou o tapete quando ele se inclinou, e os olhos azuis de Ethan apareceram por um instante, espiando o chão.

— Foguete — disse ele, baixinho, apontando para os carrinhos com o dedo.

Pegou um carrinho vermelho, aquele com rodas que giram rápido, e arrastou devagar pelo tapete. O barulho das rodinhas fazia tssss-tssss na felpa, e Ethan foi empurrando o carrinho-foguete bem devagar, como se ele estivesse subindo no céu do quarto. O cobertor continuava cobrindo a cabeça, deixando só a pontinha do nariz e o agasalho aparecendo embaixo.

— Voar — ele repetiu, pela terceira vez, a palavra saindo arrastada e gostosa.

O pai Alex estava sentado na cama, acompanhando a brincadeira com os olhos e um sorriso calmo. Ethan levantou a cabeça devagar, o cobertor formando uma tenda atrás dele, e olhou para o livro aberto na cama. Tinha um desenho de planeta com anéis coloridos, e Ethan apontou com o carrinho na mão, esperando.

— O que é esse, pai? — ele perguntou, com a voz abafada pelo cobertor.

Alex se inclinou um pouco para ver melhor o desenho.

— Esse é Saturno, Ethan. Ele tem anéis que giram em volta dele, bem devagar — o pai respondeu com a voz tranquila, fazendo um círculo com a mão para mostrar os anéis no ar.

Ethan olhou para o gesto do pai e depois para o carrinho-foguete na mão, como se imaginasse o foguete passando perto daqueles anéis. Ele fez o carrinho dar uma volta no tapete, contornando um dos livros no chão, e soltou outro vrummm baixinho.

De repente, parou. Olhou para o cobertor que ainda cobria sua cabeça e, com um puxãozinho, tirou o tecido de cima. O agasalho fez frufru quando ele levantou os braços, e o cobertor caiu no chão, formando uma montanha azul no tapete. Ethan pegou o cobertor com as duas mãos e deu uma olhada nos livros abertos na cama. Sem falar nada, ele esticou o cobertor sobre os livros, cobrindo as páginas coloridas como se fosse um céu macio em cima das ilustrações.

— Pronto — ele sussurrou, alisando o tecido com a palma da mão.

Os planetas e o foguete desenhados ficaram escondidos debaixo do azul, e Ethan deu um tapinha de leve em cima do cobertor, como quem guarda um tesouro antes de continuar a viagem.

Capítulo 4: Alinhando os Livros e a Estrela Final

Ethan se ajoelhou ao lado da cama e começou a juntar os livros que estavam espalhados. Primeiro pegou aquele dos planetas redondos, colocou no chão com cuidado e alisou a capa com a mão. Depois foi buscar o livro do foguete comprido, aquele branco e vermelho que tinha virado antes, e colocou bem do ladinho do primeiro. Os dois ficaram alinhados, como se fossem vagões de um trem espacial.

Ele olhou em volta e viu mais um livro, menor, que estava perto do travesseiro. Engatinhou até lá, o agasalho subindo um pouco nas costas com o movimento, e pegou o livro com as duas mãos. Trouxe de volta e encaixou na fileira, ao lado dos outros dois. Os três livros agora formavam uma linha reta no chão, e Ethan se afastou um pouquinho para ver se estavam bem arrumadinhos.

Ajeitou a ponta do primeiro livro, empurrando com o dedo mínimo, e depois ajeitou o do meio. O terceiro estava certinho. Ethan suspirou baixinho, satisfeito, e seus olhos azuis percorreram as capas coloridas.

Foi então que ele reparou. Na capa de trás do último livro, o menorzinho, tinha uma estrela desenhada. Era uma estrela pequena, dourada, com cinco pontas, bem no cantinho inferior. Ethan inclinou a cabeça e encostou o dedo em cima do desenho, contornando devagar cada pontinha.

— Voa — ele falou, pela última vez, a palavra saindo quase num sopro.

Os olhos dele brilharam e um sorriso foi crescendo devagar nos lábios, um sorriso que começou pequeno e se alargou como quem descobre um segredo guardado. Ele olhou para a estrela mais um instante e depois levantou a cabeça, procurando o pai Alex.

— Pai — chamou, esticando os braços na direção dele.

Alex se inclinou e puxou Ethan para perto. O abraço foi apertado e quentinho, o agasalho do Ethan pressionado contra a camiseta do pai, e o calor dos dois foi se misturando ali no chão do quarto. Ethan fechou os olhos, o rosto encostado no ombro do pai, e deixou os braços caírem frouxos, bem relaxados.

O quarto ainda cheirava a lã e papel, e o vento leve continuava batendo na janela, mas lá dentro só se ouvia a respiração calma do Ethan e o coração do pai batendo baixinho perto do ouvido dele. A fileira de livros estava pronta no chão, o cobertor azul continuava cobrindo as páginas na cama como um céu macio, e a estrela desenhada brilhava da sua pontinha dourada sem fazer barulho nenhum.

Ethan sentiu o queixo encaixar direitinho no ombro do pai e deixou o corpo ficar molinho, todo apoiado. O abraço foi ficando mais demorado, e uma sensação gostosa de calma foi preenchendo o quarto inteiro, como se tudo tivesse voltado para o lugar certo depois de uma grande viagem pelo espaço.

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